Montagem de ‘Don Carlo’ atualiza ópera de Verdi

Don Carlo 2Montagem de “Don Carlo” atualiza ópera de Verdi

Uma das principais e mais sombrias óperas do repertório italiano ganha roupagem moderna no Teatro Municipal de São Paulo, por onde a peça não passava havia 80 anos.

Na concepção do diretor teatral Gabriel Villela, que faz sua segunda incursão pela ópera, a trama de amor, traição e guerra é ambientada na Grécia antiga dá espaço para uma crítica ao governo Bush e à guerra no Iraque.

Parece estranho? Não é à toa que a volta do ´Don Carlo´ reacende a discussão sobre o estágio atual das montagens operísticas. O enredo de Don Carlo é um emaranhado de tramas e histórias paralelas.

O ponto de partida é o seguinte: em um acordo para que a paz seja selada, Elisabetta, filha do rei francês, é prometida a Carlo, filho do rei espanhol. Os dois se apaixonam mas Felipe II, na época o grande monarca europeu, resolve que é ele próprio quem deve se casar com Elisabetta.

Verdi sempre se preocupou com o aspecto teatral, cênico, de suas obras. Don Carlo é símbolo dessa preocupação. E essa premissa está no centro da concepção de Gabriel Villela para a ópera. Se Verdi busca o teatro na concepção da peça, volta às origens do gênero – o teatro grego. Daí, portanto, o cenário de J.C. Serroni, que recria uma espécie de arena grega.

FICHA TÉCNICA
Don Carlo, de Giuseppe Verdi (1813-1901)
Estreia: Theatro Municipal de São Paulo, em agosto de 2004
Direção cênica: Gabriel Vilella
Cenografia: J.C. Serroni
Orquestra Sinfônica Municipal – Maestro: Ira Levin
Coral Lírico – Regente: Mario Valério Zaccaro
Vozes: Tenor Octavio Arevalo (Carlo); soprano Laura de Souza (Elisabetta); baixo Julian Konstantinov (Felipe II); barítono Rodrigo Esteves (marquês de Posa); meio-soprano Mariana Cioromilla (Eboli); baixo Luis Otavio Faria (Inquisidor); barítono-soprano Sávio Sperandio (Monge); soprano Celeste Gattai (Tebaldo); tenor Miguel Geraldi (conde de Lerna e Arauto); soprano Marivone Caetano (voz celestial).
Atores: Cacá Toledo; Daniel Alvim; Fábio Elias; Juliana Pikel, Luisa Renaux; Marcelo Callegaro; Nicolas Rohring e Patrícia Franco.

Fonte: Estadão